Um maquilhador profissional está a defender uma mudança radical de abordagem.
Quem pega na maquilhagem de manhã quer um tom de pele uniforme e luminoso - não uma testa a brilhar e uma base a desfazer-se no espelho da casa de banho a meio da tarde. Um maquilhador experiente explica porque é que isto acontece tantas vezes e porque é que duas zonas do rosto deveriam receber muito menos foundation/base do que a maioria imagina.
Porque é que a “base no rosto todo” falha com tanta frequência
Muita gente aplica a foundation como se fosse uma camada contínua por todo o rosto: testa, nariz, bochechas, queixo e, por vezes, até orelhas e pescoço. À primeira vista, a cobertura parece impecável - mas, passadas algumas horas, surgem os efeitos indesejados.
"A base acumula-se nos poros e nas linhas finas, realça a textura da pele e intensifica o brilho - sobretudo nas zonas onde a pele, por natureza, produz mais oleosidade."
Problemas típicos ao longo do dia:
- Testa e nariz com brilho excessivo
- Foundation que “assenta” nas rídulas
- Maquilhagem que se acumula nas extremidades
- Tom irregular porque o produto desliza
- Aspeto pesado, tipo “máscara”
Por isso, este maquilhador, com quase duas décadas de experiência a maquilhar profissionalmente, aposta em menos produto - e, acima de tudo, numa aplicação estrategicamente colocada.
A “zona T” problemática: porque testa e nariz não gostam de foundation
A chamada zona T inclui a testa, o nariz e, na maioria dos casos, também o queixo. Em comparação com as bochechas, são áreas que produzem muito mais sebo. Ainda assim, é precisamente aí que muitas pessoas aplicam mais produto, numa tentativa de tapar vermelhidões, imperfeições ou manchas.
Do ponto de vista dermatológico, é a pior escolha para carregar na base. Nessa zona, a pele:
- volta a ficar oleosa mais depressa
- tem poros mais visíveis
- ganha brilho com facilidade
- faz a maquilhagem “escorregar” com mais rapidez
"Quanto mais base puser na testa e no nariz, mais depressa a pele fica brilhante - e mais vezes vai sentir necessidade de retocar com pó."
Com a combinação de sebo, transpiração e uma camada espessa de maquilhagem, os pigmentos soltam-se, entram nos poros e deixam a pele com um aspeto visualmente irregular. Ou seja: mesmo onde se procura um acabamento liso e mate, é onde a pele tende a parecer mais desigual.
A técnica profissional de foundation/base: aplicação dirigida (e com menos produto)
A proposta do maquilhador é surpreendentemente simples e não exige produtos especiais. O ponto não é tanto “qual” foundation escolher, mas sim onde a colocar e em que quantidade.
Passo 1: dar prioridade às bochechas (e ao queixo)
A aplicação deve começar nas bochechas, no queixo e na zona de transição para o pescoço. É aí que muitas pessoas notam vermelhidão, pequenas sombras ou manchas de pigmentação que beneficiam de uma cobertura leve a média.
- Aplicar a foundation em pequenos pontos nas bochechas, queixo e laterais do rosto
- Esbater com pincel, esponja ou dedos até a pele ficar uniforme
- Estender o que sobra para o pescoço, evitando linhas marcadas
"A maior parte da base deve ir para onde a pele se mantém mais estável - e não para onde fica oleosa mais depressa."
Passo 2: testa e nariz só com um véu de produto
Aqui entra o truque decisivo: na testa e no nariz não se coloca um novo pump de foundation. O profissional usa apenas o que já ficou no pincel ou na esponja.
Como fazer:
- Não voltar a apanhar produto
- Passar suavemente na testa e no nariz com o “resto” que ficou na ferramenta
- Esbater apenas até o tom ficar harmonizado - a pele deve continuar a transparecer
O resultado é uma camada finíssima que uniformiza a cor sem entupir os poros nem acentuar visualmente a oleosidade.
Correcção dirigida em vez de “máscara”: como usar concealer da forma certa
E o que fazer com a vermelhidão nas asas do nariz ou uma borbulha na testa? Em vez de tentar resolver tudo com uma camada grossa de foundation, o maquilhador prefere a correcção pontual com concealer/corretor.
Abordagem prática:
- Colocar uma quantidade mínima de concealer (ou lápis corrector) no dedo ou num pincel pequeno
- Aplicar só na zona afectada, em toques, sem arrastar
- Esbater suavemente as bordas para não ficar marca visível
"A cobertura é para as imperfeições, não para a testa inteira."
Assim, a textura e a naturalidade da pele mantêm-se, enquanto vermelhidões e zonas mais escuras ficam disfarçadas. Ao mesmo tempo, a zona T permanece mais leve e com muito menos tendência para se desfazer.
Afinação com bronzer: esculpir a testa sem a “encher” de base
Muitas pessoas carregam na testa porque querem que pareça “mais pequena” ou com um ar mais suave. O maquilhador prefere conseguir esse efeito com bronzer, não com excesso de foundation.
O método dele:
- Aplicar bronzer apenas na parte exterior da testa, junto à linha do cabelo
- Esbater muito bem para não deixar linhas
- Manter a zona T, no geral, sem base ou apenas com uma camada extremamente fina
Desta forma, o rosto ganha definição e um ar ligeiramente bronzeado, sem que a testa e o nariz pareçam pesados ou sobrecarregados.
Ajustes para diferentes tipos de pele
Pele oleosa ou mista
Quem tem tendência a brilhar beneficia especialmente da lógica “menos é mais” na zona T. Além disso, ajuda controlar o acabamento com uma matificação inteligente.
Passos recomendados:
- Usar um primer leve e não comedogénico apenas na zona T
- Aplicar a foundation como descrito: mais produto nas bochechas, quase nada na testa e no nariz
- Colocar uma camada muito fina de pó translúcido só na zona T, pressionando levemente (em vez de esfregar)
- Ao longo do dia, retirar o brilho com papel absorvente (blotting paper) ou um lenço e só retocar com pó se for mesmo necessário, de forma mínima
"Adicionar novas camadas de base sobre pele brilhante aumenta o efeito de máscara - é melhor remover a oleosidade e depois matificar de forma discreta."
Pele seca ou madura
Quem tem pele seca ou rídulas na testa nota rapidamente que muita foundation pode envelhecer o rosto: o produto instala-se nas linhas e começa a esfarelar.
Aqui, reduzir ainda faz mais diferença:
- Aplicar um bom hidratante antes de maquilhar
- Preferir uma foundation muito leve ou um hidratante com cor
- Na testa e no nariz, usar apenas o resto do pincel, sem reaplicar produto
- Não tentar “apagar” as rídulas; optar por texturas finas que as suavizem visualmente
Resultado: a pele fica com um ar mais fresco, a expressão mantém-se suave e o rosto não ganha um aspeto rígido.
Erros comuns - e como evitar
| Erro | Consequência | Melhor opção |
|---|---|---|
| Produto a mais na zona T | Brilho intenso, zonas a esfarelar | Usar só o resto de foundation que fica no pincel/esponja |
| Várias camadas ao longo do dia | Efeito máscara, contornos visíveis | Retirar o brilho em toques e retocar levemente com pó em vez de refazer a base |
| Concealer aplicado em grandes áreas na testa e no nariz | Mancha artificial, poros mais evidentes | Aplicar apenas em pontos (imperfeições ou vermelhidões) |
| Camada espessa de pó no rosto inteiro | Aspeto seco e baço, rídulas parecem mais marcadas | Pó só na zona T, em camada finíssima e pressionando |
Porque é que menos foundation costuma ficar melhor
A forma de olhar para a maquilhagem mudou muito nos últimos anos. Durante muito tempo, filtros de redes sociais e luz de estúdio passaram a ideia de que um “teint perfeito” tinha de ser totalmente coberto. No dia a dia, esse efeito pode parecer pouco natural num instante.
Muitas texturas que vemos como defeitos mal são notadas por quem está à nossa frente. O excesso de produto é que as denuncia, porque se acumula exactamente nesses sítios. Poros, rídulas e pequenas irregularidades acabam por parecer mais marcados.
"Um véu de base nos sítios certos vale muitas vezes mais do que uma cobertura completa."
Ao adaptar a maquilhagem para que testa e nariz fiquem apenas ligeiramente uniformizados, vários benefícios tornam-se evidentes: a pele sente-se mais leve, o rosto brilha menos e a foundation aguenta mais tempo sem pedir retoques constantes. Em simultâneo, a cobertura continua onde realmente faz falta - bochechas, queixo e pontos específicos.
Para dias longos no escritório, eventos ou dias quentes de verão, vale a pena comparar: num dia, maquilhar o rosto como sempre; noutro, tratar a zona T com esta técnica profissional. Normalmente, o espelho ao fim da tarde torna bastante óbvio qual das duas abordagens resulta melhor.
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